terça-feira, 2 de junho de 2009

O Dialeto Catarinense

Em Santa Catarina, por sua variedade etnográfica, torna-se difícil identificar todos os falares e sotaques, haja vista a influência dos idiomas europeus e asiáticos em quase todas as regiões.
Cada região veio com o seu dialeto. Inclusive a língua indígena muda de tribo para tribo e de taba para taba. O Brasil tinha diversas tribos, e quando se queria identificar uma palavra indígena, dizia-se que era do “tupi-guarani”, o que equivale dizer que um termo é inglês-alemão. Os tupis tinham a sua língua e os guaranis, do mesmo modo, tinham a sua. Duas nações com duas línguas muito parecidas, tipo português e espanhol. Confira no campo lexical as expressões “tiba” e “tuba”, que exemplificam o que afirmamos.
O mesmo acontecia com a língua dos negros africanos, por que cada um vinha com um sotaque diferente, conforme a sua localidade de origem. Também os imigrantes que povoaram o território catarinense trouxeram suas culturas, seus sotaques e os dialetos de suas regiões de origem, pois em muitos países, inclusive os de pequena extensão, fala-se diversos dialetos. Tais dialetos, com o passar dos anos, criaram sotaques e falares diferenciados pelo estado catarinense.
Todo estrangeiro, quando chega a uma nova terra, a última coisa que quer perder é a língua que falava na terra-mãe. E, também, a última coisa que ele vai adotar em sua plenitude é a língua nova. Consciente ou inconscientemente, por preconceito ou por insegurança, o falante imigrante teima em resistir à nova língua.
Muitas vezes o imigrante sente-se incapaz ou inseguro para articular novas palavras. Fazê-lo mudar de língua é uma coisa muito traumática, é como arrancar alguma coisa de dentro de si. Muitos imigrantes mais simplistas não fazem conta das vantagens do bilingüismo. Com o tempo ele acostuma seus ouvidos às novas palavras e vai paulatinamente tomando gosto pelos sons da língua adotiva e vai se libertando do unilingüismo.
Fica faltando-lhe também apoio dos mais diversos tipos à sua língua natal, especialmente a linguagem visual, a escrita, que nós vemos todo momento em frente dos nossos olhos em placas, out door, etc.
Esta miscigenação formou os adstratos e superestratos, no substrato lingüístico catarinense, apoiados no fenômeno da interlingüística.
O fenômeno da resistência da língua, também se verifica intracorporis. O emigrante interno de um país, se recusa a adotar o sotaque da terra de adoção.
O homem em sua terra natal vê-se bombardeado por todos os lados por coisas escritas: outdoors, panfletos, papéis etc. Isto já não acontece com o estrangeiro. Ele perdeu de vista o seu falar escrito e, com isto, a sua língua vai sofrendo desvalorizações graduais e, aí, começa a comistão e a difusão na linguagem oral da população localizada. Esta comistão vai fazendo a nova linguagem: esta que estamos estudando, a linguagem catarinense.
Os descendentes destes imigrantes, ao contrário de seus pais, fazem o caminho inverso. Falam melhor a língua de onde estão morando e apenas trazem fortes traços da língua dos pais.
Santa Catarina é territorialmente muito pequena e recebeu uma quantidade enorme de imigrantes. O resultado não poderia ser outro: uma diversidade enorme de falares. Por outro lado, esta riqueza coloquial nos oferece recursos lingüísticos poderosos para podermos estudar as origens do vernáculo.
Para que possamos entender esta vasta variação de sotaques, falares e subfalares, se faz necessária uma rápida relembrada na formação do povo catarinense no início do povoamento.
O governo português povoou o litoral de Santa Catarina com portugueses continentais e oriundos do arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira, a fim de que o povoamento por si só promovesse a proteção dos limites da colônia brasileira, em especial dos ataques espanhóis. Foi a maior e mais significativa leva de imigrantes no território catarinense e a que mais contribuiu para a linguagem catarinense e a nossa cultura, de um modo geral.
Este povo veio habitar o litoral e a sua descendência é facilmente reconhecida pelo falar chiado e cantado, ritmo acelerado, esticando sonoramente as sílabas tônicas das palavras. O povoamento açoriano veio mais especificamente para o centro e sul do litoral, precisamente para a Ilha de Santa Catarina, que era alvo principal dos espanhóis e até hoje é desejada pelos platinos.
Podemos dizer que a Ilha de Santa Catarina foi a concentração mais forte do povoamento açoriano. Diríamos que ali foi seu epicentro, depois seguiram fortes levas para o sul do Estado. Já para as bandas do norte da Ilha não foi tão forte assim.
Para o sul foram encaminhados muitos casais, até o Rio Grande de São Pedro, hoje Rio Grande do Sul. Foram muitos casais para Porto Alegre, tornando-a a maior cidade de origem açoriana do País. Era chamada de Porto dos Casais, porque para lá seguiu uma grande leva de casais açorianos.
Para fazer o povoamento de novos locais, veio gente de outras localidades de Portugal continental, como os “ericeiros”, que chegaram a Porto Belo. Curioso notar, que se apregoa de forma exagerada como sendo totalmente açoriana a colonização do litoral catarinense.
Parece-me que tem poderoso “marketing” sobre o termo “açoriano”. Uma das causas que podemos afirmar é o fato de que, sendo Florianópolis o mais forte núcleo do povoamento açoriano em Santa Catarina e sendo, atualmente, o maior centro cultural do Estado. É daí que vem a maior parte de intelectuais e historiadores, em especial a UFES e a UDESC, que formam a opinião e a literatura catarinense sobre o assunto, iniciando-se então a cadeia propagandista açoriana. Eles formaram a opinião de que todo o litoral é de cultura açoriana, e isto passa batido para o resto de Santa Catarina, que é menos informado.
No caso de Porto Belo, à época denominada de “Enseada das Garoupas”, onde em algum tempo se pretendia fazer uma colônia que se denominaria “Colônia Nova Ericeira”, porque era formada por casais vindos de Ericeira, em Portugal. Com a falência desta colônia os casais abandonaram o local e foram se espalhando, tanto para o norte como para o sul e pelo que consta, mais para o norte do que para o sul. Vejamos que, mesmo na cidade de Porto Belo, ninguém cultua a cultura “ericeira”, mas sim a açoriana. Inclusive atribuía-se aos ericeiros a fundação da cidade de Camboriú e arredores, apesar de que seu primeiro morador nasceu em Lamego, Concelho de Viseu. Em Balneário Camboriú existe um bairro chamado Vila Real, que homenageia o local de origem de seus primeiros moradores, oriundos do Concelho de Vila Real, vizinho de Viseu, norte de Portugal.
Vilson Francisco de Farias, afirma que “a Ilha de Santa Catarina em seu contorno continental até Laguna, foi o espaço geográfico selecionado para implantar a base deste ambicioso esquema colonizador do açoriano do Sul do Brasil”, e, ilustra com o mapa abaixo e denomina o nome dos lugares onde foram dispostas as famílias açorianas: São Miguel da Terra Firme (atual Biguaçu), São José da Terra Firme (São José), Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis), Nossa Senhora do Rosário (Enseada de Brito), Santana da Vila Nova (Imbituba) e Santo Antônio do Anjos (Laguna). (V. F. de Farias, Dos Açores ao Brasil Meridional, p 243)
Santa Catarina tem muitos diferenciamentos de linguagem, haja vista o grande número de colonização estrangeira. Daí nasceram fortes focos de linguagem no Estado.
Considerando os indígenas e seus inúmeros dialetos; passando pelos colonizadores europeus, asiáticos, africanos, gauchescos e paulistanos que trouxeram os falares que lotearam o território catarinense. Alemães, italianos, japoneses, ucranianos, russos, letos, eslavos, austríacos, gregos, poloneses e outros sem contar ainda, a influência castelhana da região fronteiriça, todos estes deram a sua contribuição à linguagem catarinense. Misture a isso tudo, os inúmeros dialetos trazidos pelos africanos.
Mesmo neste emaranhado de falares conseguimos destacar como principal a linguagem luso-açoriana-madeirense-vicentista, que é a mais forte, mesmo não sendo a de maior abrangência territorial, mas por ser de origem portuguesa que é a nossa língua.
Esta linguagem catarinense é importante para qualquer estudioso da língua portuguesa no mundo, porque estes ilhéus viveram muito isolados, conservando a linguagem original e a fidelidade lingüística portuguesa.
Em Santa Catarina, o mais importante subfalar de origem portuguesa está na região norte catarinense, com epicentro na cidade de São Francisco do Sul. Um subfalar que poderemos denominar de falar francisquense.
O falar do francisquense é muito especial e diferenciado dos demais, inclusive das outras localidades do litoral catarinense, numa jurisdição que se irradia pelo norte catarinense, passa por Joinville, Pirabeiraba, e segue o litoral do Paraná. Pelo oeste adentra a Guaramirim, Schoroeder, Jaraguá do Sul e pode até ser ouvido em Corupá. Ao sul desce a Barra do Sul e a Barra Velha. Esta linguagem parece seguir a linha do trem em direção ao planalto norte, e vai deixando rastros pelas cidades onde passa: Campo Alegre, São Bento, Rio Negrinho, Mafra, Porto União e até em Irineópolis detectamos resquícios do falar francisquense. De qualquer forma, sempre diminuindo de intensidade à medida que se afasta do epicentro, exceto quando segue o litoral em direção ao Paraná e São Paulo. Até no norte do litoral e sul do Rio de Janeiro. Esse falar é o verdadeiro falar vicentista.
No livro Coisas do Meu Litoral, nota-se a proximidade literária de Paranaguá com São Francisco do Sul. Inclusive o vocábulo “Chico” conhecido em São Francisco, retratado neste livro, foi detectado no Estado do Espírito Santo. Isto prova que, neste pedaço de litoral do Brasil, podem existir semelhanças no linguajar.
Este falar, é proveniente dos vicentistas que inicialmente colonizaram São Francisco, daí a acentuada igualdade lingüística entre São Francisco Xavier do Sul e as demais localidades litorâneas de São Paulo, a antiga província de São Vicente.
Em direção ao norte, seguindo o litoral, como já dissemos, este falar pode atravessar a linha divisória do Estado. Adentra a Garuva, Itapoá e Itapema do Norte, atravessa todo o litoral do Paraná e abrange quase todo o de São Paulo.
Sendo um falar vicentista, neste caso não seria este sotaque que sobe até São Paulo e sim desce de São Paulo até a região de São Francisco. E com certeza sobe de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro. Em todo o litoral do Paraná e de São Paulo pode-se ouvir este sotaque entre os nativos.
Isso me faz lembrar um caso de polícia na história do nosso País. Quem não se lembra do Bandido da Luz Vermelha? Os mais jovens como eu, só lembram do final da sua história, quando ele se tornou uma celebridade, vejam só, por ter cumprido os 30 anos de prisão, por seus crimes hediondos. Ele era nativo de São Francisco do Sul. Embora ficasse mais de 30 anos em São Paulo, não perdeu o sotaque francisquense.
O fato de este sotaque irradiar-se pelo norte catarinense atribui-se muito à questão da influência portuária da cidade de São Francisco, que atrai muita imigração. As proximidades com a cosmopolita Joinville também pode ter influído como agente disseminador deste sotaque. Dizemos isto porque encontramos resquícios deste falar até em Irineópolis e, principalmente, um foco de sotaque muito parecido com o do francisquense na cidade de Rio dos Cedros. Esta localidade se aproxima de Rio Negrinho pela parte norte, o que pode dar a idéia de ter sido ali uma porta de entrada do falar francisquense em Rio dos Cedros.
A cidade mais próxima de Rio dos Cedros, pelo sul, é Timbó, onde predomina a influência da colonização alemã com a mistura cabocla dos litorâneos. Em Rio dos Cedros pudemos notar que a influência alemã de Timbó não afetou a linguagem deles; muito pelo contrário, eles têm forte influência de colonização italiana.
Permanecemos mais dias em Rio dos Cedros porque achamos este fenômeno muitíssimo interessante e, por esta razão, foram elencadas muitas expressões daquela cidade no campo lexical.
Sem dúvida, o litoral catarinense é o mais rico em expressões idiomáticas, e isto surpreende até pessoas de outras regiões próximas que vêm para o litoral. E por que o litoral é mais rico em expressões idiomáticas que as demais regiões do Estado?
A resposta é simples: porque no litoral fala-se um tipo de português que remonta a uma espécie de português arcaico. As pessoas oriundas de outras regiões, quando chegam no litoral ficam admiradas com o jeito do falar típico do litorâneo. Aqui temos mais enfaticamente a idéia de como se falava a língua portuguesa antigamente, por exemplo.
É muito interessante o falar em Santa Catarina, porque sendo o Brasil homogeneamente de língua portuguesa, é muito próprio que onde se fale mais com este tipo de sotaque, tenha-se raízes e origens mais profundas.
Apesar de que, em Santa Catarina, esse fenômeno não é mais reparado. O visitante quando chega ao Estado, é recebido por gente que não fala mais aquele língua original. Morreram os velhos que falavam aquele sotaque cantado e chiado. Os novos se aculturaram e são minoria. É mais fácil o visitante ser recebido por um irmão de sotaque, do que um “Catarina” de pêlo duro.
Se estamos estudando a língua portuguesa e as suas origens, é mais comum e mais conveniente estudarmos as localidades onde se fala o idioma mais original. Nas demais regiões catarinenses há forte influência de outras línguas estrangeiras. Lá se ensina e se fala o português correto, erudito, oficial, segundo a norma culta e, certamente por isso, as pessoas criadas nestas regiões não arriscam a criação de termos dialetais.
A maioria dos termos “diferentes” criados nestas localidades origina-se de empréstimos de termos das línguas originais com termos da nossa língua tomada de empréstimo. Daí surgem tentativas errôneas na pronúncia das palavras, alterando a prosódia e a fonética de algumas palavras, dando origem a outros termos. A este estágio poderíamos denominar de difusão ou comistão das linguagens, porque se misturam e formam uma “nova língua”. É o fenômeno do interlingüismo se manifestando.
Nas localidades de cultura e influência portuguesa a criação de termos chega a ser impressionante e torna o idioma um dos mais criativos do mundo. No litoral, onde não há focos de línguas de outros países, a língua portuguesa é aprendida naturalmente, à vontade e daí, origina-se a espontaneidade do povo, fluindo por esta causa a enormidade de palavras que os litorâneos criam com muita liberdade e facilidade.
É lógico que numa localidade com raízes em outro idioma, não se criem idiotismos portugueses e sim de sua língua de origem. Neste caso, criando-se um idiotismo com base originada na língua estrangeira, ele passa despercebido pelo pesquisador da língua portuguesa, a menos que este tenha profundo conhecimento da língua predominante na região pesquisada.
Se afirmamos que no litoral fala-se um português diferente, cantado era porque o catarina do litoral falava cantado e chiado , mas ainda conserva o ritmo acelerado. O litorâneo fala chiado porque ele faz um reforço fonético nas palavras terminadas em / S / ou no plural, puxando este / S / para um som parecido com o /G/ em “gelo”. Os lingüistas, baseados no alfabeto fonético universal, a representam com a consoante /J/.
Vocês, por exemplo, é pronunciado “vocege” representado assim: vocej.
Seria o som próximo do fonema representado pelo dígrafo /CH /, aquilo que os lingüistas chamam de /S/ chiado-álveo-palatal.
É uma herança bem típica do galaico. Os povos espanhóis que se situam ao norte de Portugal, na região da Galícia, representam esse fonema pelo /X/. É comum em mapas medievais, ver-se grafado a capital dos portugueses, com /x/ ao invés do /s/: LIXBOA. Isso baseado em termos em que o /X/ tem esse som chiado, como em lixo, graxa, faixa, caixa etc.
Existe em Santa Catarina um chibolet que explica isto, na famosa frase “Se queres, queres, se não queres, dize”, que os catarinenses litorâneos pronunciam “Se qués, qués; se não qués, diz”.
Este chibolet comporta-se isófono numa área geolingüística, estrita ao centro do litoral catarinense, onde não há influência de nenhum outro linguajar que não seja de origem portuguesa. Neste contexto é onde se manifesta a língua principal, castiça. Sobre isto, disserta com muito brilho o emérito lingüista e Professor Doutor Oswaldo Antônio Furlan na sua obra magistral “Influência Açoriana no português do Brasil”. Na página 101, ele traz um capítulo sobre as “vertentes dos traços fônicos do açoriano-catarinense”.
Sobre o chibolet acima referido, o professor Furlan confirma:
“Em Santa catarina a palatalização do /S/ travante compreende a parte central da faixa litorânea, a qual perfaz cerca de 160 km dentre o total de 400, numa latitude de 20 a 30 km” (Op cit p. 103-104).
Doutor Furlan conclui que:
“O atual açoriano-catarinense resulta de coiné formada pela miscigenação, em épocas sucessivas, de principalmente três grupos etnolingüísticos, cujo falar devia então apresentar variantes ainda pouco acentuadas relativamente ao português europeu continental e aos demais falares brasileiros, bem como da natural evolução dessa coiné. Estes grupos etnolingüísticos são:... {...} Paulistas... Açorianos... Outros (Portugal continental e de póvoas da costa brasileira”. (Furlan p. 176)

Dizem que o catarinense litorâneo fala cantado porque ele dá um reforço no som, esticando sonoramente as sílabas tônicas das palavras. Ele faz entoar reforçadamente a sílaba tônica das paroxítonas, em especial no final de uma oração, sobretudo se for exclamativa: “Quando ele mi xingô, eu virei num demoooooonho!!!”.
Já na região oeste e, principalmente, na região serrana, a linguagem principal é o “gauchês”. Principalmente na região de Lages, onde habita o “catarucho”, uma mistura muito própria de catarinense com gaúcho e que, neste caso, fala o “cataruchês”. Também falam o “paranês” da fala do “leiTE quenTE”.
Este sincretismo cultural moldou a figura do “catarina”, apesar de que muitos não gostam de assim serem chamados.
“Catarina”, “manezinho”, “barriga-verde”, “papa-siri”, “açoriano”, “fala cantado”, “fala chiado”, “fala rápido”, “fala português”, “português”, “portuga”, são alguns adjetivos com os quais pessoas de outras regiões do Brasil gostam de nos qualificar. Nas demais regiões de Santa Catarina, o sotaque é basicamente idêntico àquele que denominamos de “ falar oestino”.
Já dissemos que macrometricamente Santa Catarina divide-se em dois grandes grupos lingüísticos. O falar do litorâneo e o falar do oestino; para lá ou para cá do maciço da serra Geral ou do Mar.
A linguagem do oeste catarinense é uma mistura de influências lingüísticas estrangeiras, principalmente o italiano com influência gauchesca; aquela linguagem que os paranaenses estão atribuindo aos tropeiros. O Mestre Francisco Filipak diz ser “parano-tropeirista”.
O mapa dialetológico deste trabalho ilustra, na medida do que foi possível identificar, as variações da língua dos catarinenses pelas localidades onde distribuímos a pesquisa e os tipos de sotaques que ouvimos. A grande maioria das palavras ouvimos sem querer, outras de propósito nos foram informadas.
Agora vamos falar um pouco das colonizações mais importantes de Santa Catarina. Sabemos que a escravização do indígena foi um fracasso, vindo posteriormente a escravização do negro africano.
Muito antes da abolição da escravatura negra no Brasil já havia iniciado a colonização alemã em Santa Catarina. O primeiro núcleo foi em São Pedro de Alcântara em 1829. Os mais importantes núcleos alemães foram Blumenau e Joinville.
Os italianos, mais tarde, multiplicaram-se por muitas localidades catarinenses.
Japoneses, letos, austríacos e outros, fazem de Santa Catarina, um dos estados mais receptores de imigrantes do Brasil.
As comunidades estrangeiras ficam muito ligadas ao seu passado histórico e aos hábitos tradicionais. O imigrante europeu tem maior senso de preservação de sua história e cultura, buscando evitar o desaparecimento e a conseqüente perda de sua identidade cultural. Esta preservação tem durado anos e, em algumas localidades antigas de imigrantes, a preservação é mais que sesquicentenária, como é o caso da comunidade de São Pedro de Alcântara.
Precisamos ainda de um trabalho de campo exclusivo sobre as localidades de cultura estrangeira, pesquisas mais completas sobre seu povo e a língua de sua gente.

Um comentário:

Eddie disse...

contribuição :
faltou a expressão "tolo", que no dialeto manezês significa aquele de credibilidade sofrível e, não, propriamente, indivíduo com problemas mentais... Diz-se como uma forma pejorativa de desconsideração da opinião de terceiro.